Lado amargo do chocolate

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Imagem wallpaperswide

aerated_chocolate-wallpaper-2560x1600É bem provável que você já tenha lido, ouvido ou visto alguma matéria sobre pesquisas que apontem os benefícios do chocolate, mas para quem não viu ou tem dúvidas sobre o assunto, aqui temos uma delas:

“Cientistas da Universidade de L’Áquila, na Itália, descobriram algo que provavelmente agradará a muitos amantes de chocolate:

“o consumo de flavonoides, substâncias naturais presentes no cacau cru, ajuda a melhorar funções cognitivas, como memória e raciocínio.”

Os pesquisadores analisaram um grupo de 90 idosos com dano cognitivo brando (MCI), um problema cerebral precursor do Alzheimer, e verificaram notável aumento na fluência verbal e no nível de atenção dos participantes que consumiram o composto todos os dias ao longo de 8 semanas. (…)

O motivo da melhora de funções cognitivas ainda não foi descoberto, mas os pesquisadores acreditam que o fato possa estar relacionado a um tipo específico de flavonoide, a (-)-epicatequina. Segundo os cientistas, o nutriente ajuda a aumentar a circulação do sangue e estimular o crescimento de vasos sanguíneos, o que favorece a oxigenação no cérebro, melhorando suas funções.

No entanto, poucos produtos apresentam quantidades significativas de (-)-epicatequina. Além disso, o processo de preparação e armazenamento de alimentos que contêm o composto (além do cacau, também vinhos, maçãs e chás) pode prejudicar a ação do nutriente.

Os pesquisadores também apontam que ainda não há um padrão para consumo. Para ingerir 50mg de flavonoides, por exemplo, a mesma quantidade utilizada pelos cientistas da Universidade de L’Áquila, seria preciso comer entre 10 e 20 barras de chocolate por dia, porção com altos níveis de gordura e açúcar, o que não compensa os benefícios cerebrais.”¹

Note que a pesquisa diz “flavonoides, substâncias naturais presentes no cacau cru… e que o processo de preparação e armazenamento pode prejudicar a ação do nutriente.”

A conclusão então, é que não compensa comer chocolate em nome dos flavonoides. Mas espere…

Abrindo um parêntese para quem ficou triste com a notícia de que o consumo do chocolate em busca de flavonoides não compensa os danos à saúde, há esperança para a busca por flavonoides, já para o chocolate… continue a leitura (rs):

“A ciência já identificou cerca de 6.000 flavonoides, e eles são abundantes em frutas cítricas como a laranja e limão, como também no morango, uva, maçã, pera, pêssego e ameixa e cacau.

Estão presentes em alguns tipos de castanhas e nozes e em vários feijões, especialmente a soja. A maior parte dos vegetais também contém flavonoides, principalmente os de cor vermelha, verde e outras cores fortes como: pimentão verde e vermelho, tomate, berinjela, espinafre, brócolis, salsão, alcachofra, cebola roxa e quiabo. Alguns temperos também são ricos em flavonoides, desde que consumidos frescos, como a salsinha, tomilho e endro.” ²

Com essa variedade de alimentos ricos em flavonoides, ninguém precisa chorar pela falta deles… Fecha parênteses e voltemos ao chocolate.

Ok, eu posso ter flavonoides em outros alimentos, então, comerei meu chocolatinho moderadamente e serei feliz, afinal quem não fica feliz depois de comer chocolate?

Bem, digamos que está na hora de conhecer um outro universo de sabores e o lado amargo dos chocolates… Mas antes, responda:

Por que mesmo reconhecendo não ser um alimento saudável, o chocolate é para muitas pessoas algo irresistível?

Quer a ajuda do Dr. Barnard? Ele dá a resposta:

“O chocolate é, em sua essência, uma droga viciante.

Há décadas que a pesquisa médica tem aceito este fato. O chocolate tem como alvo o mesmo lugar em seu cérebro que a heroína ou a morfina também atuam. Pesquisadores da Universidade do Michigan, Estados Unidos, usando um medicamento bloqueador de opiato (naloxana), constataram que os chocólatras do estudo tiveram uma redução de 90% em sua atração pelo consumo do chocolate.

Em outras palavras, a real atração do chocolate depende do seu efeito no cérebro. Quando tal efeito é bloqueado, o chocolate perde seu magnetismo. Mas você não precisa entrar em pânico. Embora o chocolate seja uma droga, isso não significa que você vai arrombar um mercadinho às 2h da manhã para conseguir alguns. O chocolate não estimula os receptores de opiato no mesmo grau que os narcóticos. No entanto, o que acontece dentro do cérebro é que faz você não resistir e continuar comendo.

Opiatos e Estimulantes

O efeito dos opiatos escondidos em uma barra de chocolate tem afetado milhões e milhões ao redor do planeta. Mas tais efeitos químicos vão mais além. O chocolate também contém outros estimulantes:

– cafeína: embora numa quantidade bem menor que o café e o chá;

– teobromina: pertencente ao grupo das metilxantinas, são alcaloides com alto poder estimulador do sistema nervoso central; é por causa dela que

seu cachorro não pode comer chocolate, pois não consegue processar e eliminar a teobromina rapidamente como o ser humano, causando danos ao coração, rins e sistema nervoso, chegando a ser fatal;

vale lembrar que, quanto maior a concentração de cacau, maior será o nível da teobromina;

– teofilina: também faz parte do grupo das metilxantinas, também presente nos chás;

– feniletilamina: semelhante às anfetaminas, irá estimular a produção de seretonina, substância que dá a sensação de prazer e calma; está também presente no queijo.

Em seguida vem a atividade canabinoide dos ácidos graxos, que ativa as mesmas regiões do cérebro que são estimuladas pelo princípio ativo da maconha.

As células cerebrais produzem um químico chamado anandamina. Este composto está relacionado com o ingrediente ativo da maconha, o tetrahidrocanabinol, ou THC. Os químicos do chocolate retardam a ação da anandamina, de forma que os efeitos de prazer persistem mais que o normal.

Se você já leu as informações nutricionais na embalagem de uma barra de chocolate, já deve ter percebido que dois nutrientes principais perfazem quase que o peso total da barra. São eles: carboidratos e gorduras totais. Numa barra de 100 gramas, por exemplo, carboidratos mais gorduras equivalem de 80 a 93 gramas, dependendo do tipo – amargo, meio – amargo, ao leite, etc.

O carboidrato do chocolate é o açúcar comum ou formas de açúcar.

Nesta mesma barra de chocolate de 100 gramas, a quantidade de carboidrato varia entre 48 a 68 gramas. (…)

A lista de ingredientes secundários que perfazem as restantes 7 a 20 gramas na barra de chocolate de 100 gramas é bem grande, sendo exemplos o leite em pó, leite condensado, e uma gama de aditivos químicos.

Antigamente, quando conservantes não faziam parte da lista de ingredientes, o chocolate tinha validade de apenas 2 a 3 semanas. Mas as pessoas acabavam comendo o produto mofado, e tendo problemas de saúde como a gastroenterite.

Devido a isso, o governo passou a exigir a adição do conservante ‘citrato de sódio’, mas não controla a quantidade adicionada, ao contrário de outros países. O prazo de validade agora é bem maior, 18 meses, mas as preocupações em decorrência deste fato também aumentaram, principalmente em relação à dependência química desses aditivos.

O fato mais curioso na lista de ingredientes do chocolate, é a quantidade do cacau – o ingrediente mais famoso e o responsável por todas as promessas de benefícios de saúde.

Por lei, para ser considerado chocolate, o produto tem que conter pelo menos 25% de cacau, mas a maioria não chega nem a 5%.

É por isso que o chocolate – assim como os derivados do leite, alimentos cárneos e ovos, está diretamente relacionado com problemas de saúde como a enxaqueca , diarreia e doenças crônicas como a obesidade e diabetes.”²

¹[2.uol.com.br/vivermente/]
² Saúde Nua Crua (Leia mais aqui)
³ Saúde Nua Crua (Leia mais aqui)

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